Resolvi iniciar a noite
e entrei no nevoeiro, apalpando a rua e soando os barulhos.
Depois, encontrei-me no meio de luzes e letreiros,
que me chocavam a vista e o olhar.
Foi então que a vi,
linda em azul cinza, fumando empenhadamente.
Meu dito meu feito: cheguei-me e entabulei conversa.
Respondeu-me o silêncio,
como se tivesse mais fazeres que retorquir.
Não gostei da indiferença da Dona:
eu, pobre mortal que não merece desprezo,
(quando muito compaixão).
Disse boa noite e voltei-lhe as costas.
Saí da zona de luz e voltei ao nevoeiro.
mais íntimo e amigo, húmido e deslizante.
Cheguei a casa quase sem dar por isso:
entrei, sacudi a parka, pendurei-a e ataquei o sofá.Foi assim, na doce companhia da solidão e do calor,
que adormeci até amanhã,
onde acordarei com fome e tédio.
Ambos contornáveis na circunvalação da monotonia habitual.
E o dia correrá pelo seu tempo,
comigo aguardando de costume nem sei o quê.

