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10-01-2008

Testamento

alentejo2

 

O homem estava sentado numas pedras, olhando a planura amarelada de trigo;

Um trigo  já crescido, pronto para ser amado.

O homem exalava paz, uma doçura cheirosa vinda do ar limpo mas crispado da solidão,

estava só mas não sozinho, sonolento mas de sentidos desperto.

 

Era aqui, pensava eu, que gostaria de voltar um dia um dia p'ra morrer:

Sem culpa, sem mágoa, sem dôr:

Apenas com a telúrea força de quem venceu a vida até no acto de a deixar.

E se o homem estivesse por perto, melhor seria: com ele partilharia de bom grado o último olhar.

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Venho do Kapikua, onde não consegui comentar.

Belíssimo este campo vestido de trigo e o tranquilo desejo do poema.

Cumprimentos.

Jorge G.

Obrigado!

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  • Sobre as claras toalhas do tempo a figura pressentida do insignificante. Ela ilumina a medida do ar com um subtil silêncio (António Ramos Rosa)

  • A minha esquerda não vive de slogans, imputações nem ideologia serôdia. Vive dos apesar de tudo, dos possíveis que se vão tornando realidade. Não passa pelos Sócrates deste mundo mas menos ainda pelas oposições dum mundo que já foi ou que nunca será. É céptica de resultados e optimista de possíveis. Será socrática apesar de Sócrates.

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