A propósito da anunciada contratação – pela Campanha de José Sócrates - da equipa de especialistas que concebeu e implementou a campanha eleitoral on line de Barak Obama, escreve na OPINIÃO do PÚBLICO o publicitário Miguel Paté:
“(…) Como profissional de comunicação, interpreto esta escolha de José Sócrates como uma demonstração de alguma falta de confiança nos técnicos de comunicação e marketing político portugueses. Esta escolha não é um caso isolado: neste cantinho à beira-mar plantado, é demasiadamente frequente preferirem-se pessoas ou organizações estrangeiras em detrimento de pessoas ou organizações portuguesas com capacidades e competências equivalentes.
Muito felizmente, tanto para José Sócrates como para todos nós, que esta possibilidade de escolher um estrangeiro em vez de um português não pode ser aplicada no processo de escolha do primeiro-ministro de Portugal.
Como cidadão, interpreto esta escolha como uma medida que, à partida, não favorece a economia nacional. Não tanto por parte do financiamento dos partidos e das campanhas ser proveniente do erário público. Acima de tudo, por a escolha de uma equipa para o desenvolvimento de um determinado projecto ser também uma decisão de investimento. Acontece que, neste caso, é de investimento externo. Se apostasse numa equipa nacional, o chefe do executivo estaria a fazer uma aposta que contribuiria positivamente para o nosso PIB e, em vez disso, está a incrementar o produto interno bruto de outro país. (…)”
Chamo a isto uma opinião bem estúpida: devem escolher-se os especialistas pela nacionalidade ou pela qualidade provada?
Achará esta luminária que há “organizações portuguesas com capacidades e competências equivalentes” ás da equipa da campanha on line de Obama? Quem? Onde?
Acha que o PIB é para aqui chamado nos termos em que o faz? Acha também que os países que importam bens portugueses o não devem fazer porque não estão a contribuír para o PIB deles? Será essa a matriz do seu conceito de liberalização generalizada das trocas?
Santa ignorância, mascarada de patrioteirismo serôdio cheirando a xenofobia!
Quem não fala de que sabe arrisca-se a não saber do que fala. Ou será que, porque nada sabe, não sabe isso?


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