Assim como li que uma macaca - abusivamente retirada à tutela de seu dono por zelosos GNR - entrara em profunda depressão de raíz afectiva por falta do dono, li também que o Ministro Vieira da Silva vai à Assembleia da República esclarecer o seu atrevido e maroto qualificativo "espionagem política".
Por mim, acho uma perda de tempo para ouvintes e depoente: afinal, os ilustres deputados só querem espiolhar os interiores do Ministro, o qual - como pessoa recatada e púdica que julgo ser - se limitará a falar da ausente vírgula entre as palavras "espionagem" e "política", abusivamente escamoteada na transcrição pelos repórteres do que teria dito. Este lapso (intencional?), asseverará Sua Exª, faz toda a diferença, pois dá sentido agressivo a duas palavras que, juntas, são no mínimo inconvenientes mas que, separadas pela faltosa vírgula, seriam elucidativamente ininteligíveis.
Há muito boa gente para quem a argumentação colhe: que Ministro faria declarações de sentido polémico se poderia limitar-se - assisada e prudentemente - ao expressionismo de total vacuidade e rigorosa incompreensão, dentro do melhor espírito "simplex"?
Sobretudo um Ministro de Sócrates.


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