A grana (versão II)
Cada vez se fala mais do deficit: falta dinheiro ao País, aos pais, aos filhos, a alguns ricos e a muitos pobres. Mas não para as mesmas necessidades.
Entretanto, a banca é hipotecáriamente o maior proprietário imobiliário e os particulares os maiores prestadores de imobiliário; uns têm as garantias, os outros o usufrutozinho da casinha. Todos parecem satisfeitos, milagre de S. baixo juro, santo mais importante desse euro tão vituperado quanto idolatrado - que faríamos sem ele?
Somos parceiros, neste eden imobiliário, dos EUA, Reino Unido e Epanha, outros felizardos da nova bolha ameaçadora. Os felizardos, porém, são bem diversos:
Os americanos vivem para o consumo (financiado pelos asiáticos, produzido pelos asiáticos e reinvestido pelos asiáticos), devendo cada vez mais, gastando cada vez mais, santificados pelo mercado e confortados pela fiscalidade invertida e obscena.
Os ingleses, são óbviamente o barman desta festa: uma dose de tatcher's entrepeneurism, duas gotas de bushmills, 2 doses de brown's social pragmatism, uma pitada de europhobia, lightblair q.b. e já está: shaker e serve-se morno (um pouco mais do que a cerveja).
Os Espanhois, se cagan en el deficit (inexistente): exportam, investem no Alqueva, culturam, cultivam (la siesta tambien), ensinam e aprendem mas sempre muy conscientes de lo que hay aun para hacer, reestruturar y reformar.
Last but not least, aqui estamos nós. Estudiosos, optimistas, fiscalmente exemplares, abertos e realistas para a inovação, plenos de civismo militante e de coerência ideológica (sempre útil para as refundações). O nosso deficit é - diz quem sabe - muito preocupante. Mas com a ajuda das receitas do futebol, o 1 por 2, a oposição do Marque Mendes e a crítica construtiva do Borges tudo se há-de arranjar. Quanto aos impostos, seja o que Deus quiser, e o choque tecnológico será significativamente acelerado pelo novo Código da Estrada.
CHEGOU A HORA DE SERMOS OPTIMISTAS: UM GRANDE DESÍGNIO ESTRATÉGICO ESPERA POR NÓS! UMA VEZ MAIS, SABEREMOS ESTAR À ALTURA DA NOSSA HISTÓRIA!
E o Cavaco? Como digo supra, chegou na hora de sermos optimistas. Ainda tem uma chance.
Publicado aqui em 27-12-2005