Por cá...
“(…) No fim-de-semana, (o Presidente da República) demoliu algumas opções de política económica do Governo e obrigou Sócrates a disparar um inédito míssil nas relações entre S. Bento e Belém. Da ‘cooperação estratégica’, as relações institucionais entre Cavaco e Sócrates evoluíram para a fase da Guerra Fria. Um precário equilíbrio que vai funcionando pela pura lógica do terror. Esperemos que a opção nuclear não destrua o País...” – Eduardo Dãmaso COrreio da Manhã)
“(…) Ignorado pelo Governo, que nunca se dignou a levar em linha de conta nenhuma das suas advertências, o Presidente, no seu discurso de sexta-feira passada, não se limitou a coleccionar mais uma série de avisos à navegação socialista: indo bastante mais longe, o que o prof. Cavaco Silva mostrou foi que não estava disposto a continuar a assistir, em silêncio, à crescente degradação da situação económica nacional. A partir de agora, e esgotadas as conversas informais com o primeiro-ministro (em que assentava a "magistratura da palavra"), o Governo deixou de contar, não tanto com a solidariedade do Presidente da República, mas com a sua conivência em matérias fundamentais que afectam o futuro do País e põem em causa a sua viabilidade económica.(…)2 – Constança Cunha e Sá (Correio da Manhã)
“(…) Mas se isso acontece, também era bom que soubéssemos o que defendem. De um e outro lado. Não se sabe. Ou melhor: presume-se o pior. O que seria importante era que o Presidente e o primeiro-ministro entendessem uma evidência: o sistema constitucional está construído de tal forma que nunca o poder estará todo de um lado ou todo do outro. É imperativo que se entendam. Talvez o próximo ciclo eleitoral os leve a inevitavelmente se desentenderem. Mas a Constituição modela a forma desse entendimento. E a crise exige-o. Seria muito irresponsável que não o fizessem. (…)” – Editorial (DN)
“(…) Na próxima semana ir-se-ão cumprir os 100 primeiros dias de Barack Obama à frente do governo dos Estados Unidos. O homem não tem parado, e muito daquilo que já fez ou prometeu, de Cuba ao Irão, passando pelas questões da tortura e das alterações climáticas, é de modo a valer-lhe uma chuva de elogios. Talvez mesmo a capa de mais um livro ou dois. Mas até para fazer justiça às suas extraordinárias qualidades, convinha que a esquerda europeia parasse de fazer dele um santinho dos altares, onde coloca devotadamente todas as suas preces. Ver tanta fé em ateus, confesso, anda a causar-me um bocado de impressão.” João Miguel Tavares (DN)
“(…) Depois de não se entenderem se deviam discutir temas europeus ou temas nacionais na campanha, os candidatos portugueses chegaram todos à conclusão que os temas europeus eram temas nacionais e que os temas nacionais eram temas europeus. Tudo ao molho e fé em Deus. O eurocéptico da Sildávia curvou-se perante o génio português: afinal de contas, quando se começa uma campanha a discutir o que se pode e não pode discutir, o mais certo é acabar a campanha sem discutir o que quer que seja. E era isso que os sildavos precisavam saber para continuarem a ser membros da UE sem o ser, a ganhar o subsídio e não a querer ter a maçada de ter uma política europeia, ou nacional ou outra. E o eurocéptico da Sildávia declarou, comovido: um país tão bom como este até podia ser como a Sildávia e nunca ter existido.” – Miguel Gaspar (PÚBLICO)
“Sou um dano colateral do levantamento do sigilo bancário. As partes pudendas das minhas contas ficarão à vista das Finanças, e ou muito me engano ou não haverá folha de parra (um artiguinho da lei, ou só uma alínea ou um § único) com que alguém como eu, sem "offshores" no colchão, possa cobri-las. E agora, sempre que encarar o dr. Teixeira dos Santos na TV, não poderei deixar de sentir que me fita com ar reprovador como se me dissesse: "Com que então saldo a descoberto, hein?" ou "Vê lá se pagas a conta da luz, que já estás três dias atrasado". (…)” – Manuel António Pina (JN)
