04/21/2009

Por cá...

“(…) No fim-de-semana, (o Presidente da República) demoliu algumas opções de política económica do Governo e obrigou Sócrates a disparar um inédito míssil nas relações entre S. Bento e Belém. Da ‘cooperação estratégica’, as relações institucionais entre Cavaco e Sócrates evoluíram para a fase da Guerra Fria. Um precário equilíbrio que vai funcionando pela pura lógica do terror. Esperemos que a opção nuclear não destrua o País...” – Eduardo Dãmaso COrreio da Manhã)

“(…) Ignorado pelo Governo, que nunca se dignou a levar em linha de conta nenhuma das suas advertências, o Presidente, no seu discurso de sexta-feira passada, não se limitou a coleccionar mais uma série de avisos à navegação socialista: indo bastante mais longe, o que o prof. Cavaco Silva mostrou foi que não estava disposto a continuar a assistir, em silêncio, à crescente degradação da situação económica nacional. A partir de agora, e esgotadas as conversas informais com o primeiro-ministro (em que assentava a "magistratura da palavra"), o Governo deixou de contar, não tanto com a solidariedade do Presidente da República, mas com a sua conivência em matérias fundamentais que afectam o futuro do País e põem em causa a sua viabilidade económica.(…)2 – Constança Cunha e Sá (Correio da Manhã)

“(…) Mas se isso acontece, também era bom que soubéssemos o que defendem. De um e outro lado. Não se sabe. Ou melhor: presume-se o pior. O que seria importante era que o Presidente e o primeiro-ministro entendessem uma evidência: o sistema constitucional está construído de tal forma que nunca o poder estará todo de um lado ou todo do outro. É imperativo que se entendam. Talvez o próximo ciclo eleitoral os leve a inevitavelmente se desentenderem. Mas a Constituição modela a forma desse entendimento. E a crise exige-o. Seria muito irresponsável que não o fizessem. (…)” – Editorial (DN)

“(…) Na próxima semana ir-se-ão cumprir os 100 primeiros dias de Barack Obama à frente do governo dos Estados Unidos. O homem não tem parado, e muito daquilo que já fez ou prometeu, de Cuba ao Irão, passando pelas questões da tortura e das alterações climáticas, é de modo a valer-lhe uma chuva de elogios. Talvez mesmo a capa de mais um livro ou dois. Mas até para fazer justiça às suas extraordinárias qualidades, convinha que a esquerda europeia parasse de fazer dele um santinho dos altares, onde coloca devotadamente todas as suas preces. Ver tanta fé em ateus, confesso, anda a causar-me um bocado de impressão.” João Miguel Tavares (DN)

“(…) Depois de não se entenderem se deviam discutir temas europeus ou temas nacionais na campanha, os candidatos portugueses chegaram todos à conclusão que os temas europeus eram temas nacionais e que os temas nacionais eram temas europeus. Tudo ao molho e fé em Deus. O eurocéptico da Sildávia curvou-se perante o génio português: afinal de contas, quando se começa uma campanha a discutir o que se pode e não pode discutir, o mais certo é acabar a campanha sem discutir o que quer que seja. E era isso que os sildavos precisavam saber para continuarem a ser membros da UE sem o ser, a ganhar o subsídio e não a querer ter a maçada de ter uma política europeia, ou nacional ou outra. E o eurocéptico da Sildávia declarou, comovido: um país tão bom como este até podia ser como a Sildávia e nunca ter existido.” – Miguel Gaspar (PÚBLICO)

“Sou um dano colateral do levantamento do sigilo bancário. As partes pudendas das minhas contas ficarão à vista das Finanças, e ou muito me engano ou não haverá folha de parra (um artiguinho da lei, ou só uma alínea ou um § único) com que alguém como eu, sem "offshores" no colchão, possa cobri-las. E agora, sempre que encarar o dr. Teixeira dos Santos na TV, não poderei deixar de sentir que me fita com ar reprovador como se me dissesse: "Com que então saldo a descoberto, hein?" ou "Vê lá se pagas a conta da luz, que já estás três dias atrasado". (…)” – Manuel António Pina (JN)

04/17/2009

Information, Please!

Information, Please! was one of the most popular, and literate, shows on American radio, airing from 1938-1948 and running briefly as a TV show in 1952. Its format was novel: instead of quizzing contestants from the general public, listeners submitted questions to quiz the experts, and if they stumped the panel of resident eggheads, they won money and (for many years) a set of Encyclopaedia Britannica. The program became a cultural icon, spurring Information, Please! quiz books, card games, almanacs, film shorts, and countless editorial cartoons and satires.  Anybody who was anybody wanted to appear on the show.

11/02/2008

05/03/2008

O poeta

Cuando las amadas palabras cotidianas   
pierden su sentido    
y no se puede nombrar ni el pan,    
ni el agua, ni la ventana,    
y la tristeza ha sido un anillo perdido bajo nieve,    
y el recuerdo una falsa esperanza de mendigo,    
y ha sido falso todo diálogo que no sea    
con nuestra desolada imagen,    
aún se miran las destrozadas estampas    
en el libro del hermano menor,    
es bueno saludar los platos y el mantel puestos    
sobre la mesa,    
y ver que en el viejo armario conservan su alegría    
el licor de guindas que preparó la abuela    
y las manzanas puestas a guardar.    
Cuando la forma de los árboles    
ya no es sino el leve recuerdo de su forma,    
una mentira inventada por la turbia    
memoria del otoño,    
y los días tienen la confusión    
del desván a donde nadie sube    
y la cruel blancura de la eternidad    
hace que la luz huya de sí misma,    
algo nos recuerda la verdad    
que amamos antes de conocer:    
las ramas se quiebran levemente,    
el palomar se llena de aleteos,    
el granero sueña otra vez con el sol,    
encendemos para la fiesta    
los pálidos candelabros del salón polvoriento    
y el silencio nos revela el secreto    
que no queríamos escuchar.

 

Jorge Teillier (Chile)

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  • Sobre as claras toalhas do tempo a figura pressentida do insignificante. Ela ilumina a medida do ar com um subtil silêncio (António Ramos Rosa)

  • A minha esquerda não vive de slogans, imputações nem ideologia serôdia. Vive dos apesar de tudo, dos possíveis que se vão tornando realidade. Não passa pelos Sócrates deste mundo mas menos ainda pelas oposições dum mundo que já foi ou que nunca será. É céptica de resultados e optimista de possíveis. Será socrática apesar de Sócrates.

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